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machos à moda antiga

25 novembro 2011 Nenhum comentário

Por Marcos Guinoza

Caio Castro é um ator que surgiu de um concurso realizado pelo “Caldeirão do Huck”. Passou por “Malhação”, “Ti Ti Ti” e, enfim, chegou ao horário nobre. Ele é o Antenor de “Fina Estampa”.

sobre a sua atuação no folhetim do Aguinaldo Silva, basta dizer que o personagem é bem maior que o ator que o representa.

assim como boa parte dos heterossexuais imaturos que ainda gozam na cueca, Caio Castro, ao que parece, tem medo de “parecer gay” por ser solteiro no “caliente” Rio de Janeiro. Daí veio a sua declaração desastrosa para a revista “Quem”:

– se você não tem fama de pegador e é solteiro, fica com fama de veado. Então, antes pegador que veado, né?

acho que, no momento da entrevista, o rapaz nem percebeu o alto teor preconceituoso da sua fala. Afinal, esse tipo de pensamento bege e machista é bastante comum em sociedades onde o homem precisa demonstrar desde cedo que é “espada”, “pintudo”, “acima de qualquer suspeita”.

homem ir ao cinema com outro homem, nem pensar! Homem vestir cor-de-rosa, nem pensar! Homem gostar de Madonna ou Liza Minelli, cruz-credo!

se já era assim no século passado, hoje – com os homossexuais conquistando cada vez mais visibilidade e as mulheres reivindicando orgasmos múltiplos – acredito que os héteros estejam se sentindo ainda mais “pressionados” em provar que são héteros. E nessa de “matar a cobra e mostrar o pau”, exageram na dose e falam asneiras.

o mundo é um lugar amplo e generoso, onde cabemos todos nós. Mas é também um lugar impreciso, em constante transformação. Na maioria das vezes, essas transformações nos desequilibram e demora certo tempo até a gente reencontrar o nosso papel na sociedade.

é isso que parece estar acontecendo com os “machos à moda antiga”. Foram atropelados pela história, pelas mulheres, pelos gays, e agora não sabem se devem continuar coçando o saco ou aderir à depilação com cera quente.

coitados, estão mais perdidos que cusco em tiroteio.

Marcos Guinoza é jornalista. Mora em São Paulo. E escreve diariamente no blog O Idiota Feliz.

* Os artigos aqui publicados não representam necessariamente a opinião do Pará Diversidade.