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Ativistas promovem ato contra violência homofóbica, mas movimento LGBT paraense não adere

4 fevereiro 2012 Nenhum comentário

Por Redação Pará Diversidade

Nesta sexta-feira (3), militantes pelos Direitos Humanos realizaram, em frente à Delegacia Geral da Polícia Civil, em Belém, um ato de repúdio à violência homofóbica cometida por policiais. O evento foi motivado pelas agressões físicas e psicológicas de cunho discriminatório sofridas pelo ativista LGBT Beto Paes, do Grupo Homossexual do Pará, por parte de policiais civis no dia 15 de janeiro, ao sair do Bar da Ângela, no bairro do Guamá (leia mais sobre o caso aqui).

A manifestação reuniu, além de ativistas LGBT, militantes dos movimentos negro, de mulheres e de prostitutas, bem como a ex-senadora Marinor Brito (PSOL-PA) e o presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/PA, Diogo Monteiro, que vem dando suporte a Paes nos encaminhamentos do caso da agressão sofrida.

Através de um carro som cedido para o evento, os manifestantes fizeram discursos repudiando não só a violência homofóbica cometida contra Paes, como também toda a violência e arbitrariedade cometida pelos agentes de segurança pública no estado e no país, sobretudo contra populações vulneráveis, como homossexuais, negros, prostitutas e pobres. Houve testemunhos de pessoas que também sofreram ou testemunharam abusos por parte de policiais em função de discriminação, como o caso de uma travesti que quase foi atropelada de forma proposital por uma viatura policial, e depois ainda ouviu o comentário, por parte dos ocupantes do veículo, de que deveria ter morrido, pois “seria menos um viado no mundo”.

Ao fim do ato, Beto Paes leu uma nota de repúdio assinada por várias organizações (íntegra ao fim da matéria) e agradeceu o empenho do delegado geral da Polícia Civil, Nilton Atayde, nos encaminhamentos de seu caso, que foi denunciado à Corregedoria da instituição, bem como à Ouvidoria de Segurança Pública do estado.

Contudo, apesar do esforço dos ativistas presentes e da legitimidade da manifestação, o evento não contou com o apoio da maior parte do próprio movimento LGBT paraense, pois reuniu apenas cerca de 30 pessoas, evidenciando a necessidade de articulação da militância local e da própria comunidade LGBT do estado na luta contra a homofobia.

Abaixo, leia a nota de repúdio e veja as fotos do ato:

Nota de repúdio contra a violência homofóbica

O movimento de luta pela cidadania LGBT e demais movimentos sociais que compõem a luta pelos Direitos Humanos no Estado do Pará vêm, através desta nota pública, repudiar a violência policial exercida contra  Beto Paes, ativista dos Direitos Humanos e membro do Movimento LGBT do Pará, no último dia 15/01/2012, no Bar Refúgio dos Anjos (Bar da Ângela). O despreparo de dois policiais da Polícia Civil resultou na agressão física, psicológica e ameaças contra o companheiro, que foi humilhado e brutalmente violentado em seus direitos. O fato foi denunciado na Corregedoria da Polícia Civil, bem como na Ouvidoria de Segurança Pública do Estado, para apuração dos fartos e demais providências.

Em tempos nos quais a homofobia tem sido alvo de estudos e debates, sobretudo no âmbito das políticas públicas, com a criação de estratégias de enfrentamento e combate a todo tipo de violência homofóbica, como destaca o Programa Brasil Sem Homofobia, uma postura truculenta como essa, advinda de agentes de segurança pública, encontra-se na contramão das proposições políticas de combate à homofobia e de promoção de uma cultura de paz.

Aproveitamos para repudiar, além da violência de cunho homofóbico sofrida pelo companheiro de luta pelos Direitos Humanos, toda e qualquer forma de violência, enfatizando as que são resultado do machismo, racismo e demais formas de intolerâncias correlatas, que atingem, sobretudo, as camadas mais pobres e estigmatizadas da sociedade.

Por uma Pará sem Violência, sem Machismo, sem Racismo, sem Homofobia, e por uma Cultura de Paz e respeito aos Direitos Humanos.

Grupo Homossexual do Pará, Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia, Fórum de ONGs Aids do Pará, Comissão de Diversidade Sexual da OAB-PA, Centro de Referência de Prevenção e Combate à Homofobia e Comitê Arte pela Vida