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Conselho de Psicologia do Paraná dá 15 dias para que psicóloga deixe de fazer proselitismo religioso e críticas a LGBTs

11 fevereiro 2012 9 comentários

O CRP (Conselho Regional de Psicologia) do Paraná deu prazo de 15 dias para que a psicóloga Marisa Lobo deixe de fazer na internet proselitismo religioso e manifestações preconceituosas contra a homossexualidade.
Marisa dá entrevista e se apresenta nas redes sociais como “psicóloga cristã”. No Twitter, ela diz ser, além de psicóloga, pregadora e teóloga.
Em seu site profissional, o Psicologia Cristã, ela mistura sua fé com a profissão: fala de Freud (que era ateu) e do poder de cura de Cristo. Seu blog, onde consta o número do registro profissional da “dra. Marisa Lobo”, publica conteúdo contra o casamento entre homossexuais, entre outros temas, dando destaque aos discursos preconceituosos de deputados evangélicos.
O blog Nação Pró-Família relata como tem sido a “perseguição religiosa” a Marisa pelo Conselho de Psicologia.
O Nação Pró-Família é anônimo, não revela o nome de seu autor, mas informa ter sido criado a pedido do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para defender a realização de “um plebiscito onde a nação tenha o direito de decidir sobre o casamento gay”.
O blog reproduz a foto de Marisa com uma Bíblia nas mãos diante da sede do CRP, em uma provocação desnecessária e infantil. A foto foi tirada no dia 9, quando a psicóloga recebeu a advertência de que o código de ética da profissão não permite qualquer tipo de proselitismo religioso nem manifestação que possa ser interpretada como homofóbica.
O blog diz que, no Conselho, Marisa foi informada por duas fiscais de que ela foi denunciada por pessoas que se sentem incomodadas por ela se declarar uma “psicóloga cristã”. Para a psicóloga, essas pessoas são  “ativistas gays, usuários de maconha e ateus”.
“Me senti perseguida, ouvi coisas absurdas, uma pressão psicológica que, se não tivesse sanidade mental, eu teria me acovardado e desistido de minha fé”, disse a psicóloga, segundo o blog.
Entre “as coisas absurdas” que Marisa teve de escutar, segundo o blog, estão as seguintes frases das fiscais:
“Você não pode se dizer cristã e psicóloga ao mesmo tempo, é ferir o código de ética.”
“Você não pode dizer que Jesus cura, sendo psicóloga.”
“Você não pode se dizer psicóloga e cristã, guarde sua fé pra você, não tem direito de externar para mídia.”
“Você não pode dar declarações que induza pessoas a acreditar que seu Deus cura, como faz em seus sites e blogs.”
“Você não tem direito de dizer em público que ama gay, mas quer ter um filho hétero.”
Marisa disse às fiscais que não usa a religião no tratamento de seus pacientes. “Não tenho nenhuma reclamação [de pacientes] no conselho em 15 anos.”
A psicóloga – sempre segundo o blog Nação Pró-Família – quis saber das fiscais se estavam pedindo para que ela negasse a Deus para poder continuar a exercer a profissão. A resposta foi não, mas ela, como profissional, não pode misturar religião com psicologia.
Marisa disse que prefere ser cassada a negar a sua fé. Uma das fiscais sugeriu: “Você não precisa ser cassada, porque pode abandonar a psicologia”.
O prazo para que a Marisa, como psicóloga, deixe de fazer proselitismo religioso vence ao final do mês.

Fonte: Paulopes