Feliciano e a tentativa mal sucedida de criminalizar militâncias
Por Marcelo Gerald
Feliciano semanas atrás, em um evento, mandou prender ativistas LGBTs que hastearam uma bandeira gay. No ato, ele dizia que isso era crime previsto em lei. Não dá pra entender direito o que ele quis dizer com isso, pois não há nenhum lei que proíba manifestações em espaços públicos, muito menos a bandeira. Ele instigou publicamente e manifestantes disseram ter sido agredidos por seguranças e pela PM, o MP investiga o caso. O que se observou nesse episódio foi uma tentativa clara de criminalizar manifestações sociais que contrariem o pensamento do pastor.
A polêmica envolvendo o deputado se repetiu nessa semana. Ontem [sexta] no Twitter, ele e seus assessores disseram que ele foi agredido por ativistas LGBTs em voo de Brasília. Num dos tuítes, falava que ativistas gays faziam gestos obscenos e tentavam se esfregar nele. Seria mais um episódio de queima promovida por parte do pastor contra ativistas, e portais da imprensa “jornalística” e sites gospel, mais uma, vez exploraram a polêmica sem averiguar fatos. Em outras palavras, fizeram notícia baseado nos tuítes do pastor/deputado.
Ninguém contava que os envolvidos no evento do avião postassem o vídeo completo do episódio em sua página do Facebook. Até o momento [da postagem do artigo, sábado], o vídeo teve mais de 55 mil compartilhamentos. O que se constata ao assisti-lo e conferir a página dos manifestantes é que não se trata de 10 ativistas gays, mas de apenas dois homens e são héteros. Na linguagem dos fundamentalistas, são “pais de família”, com filhos e tudo, ou seja, o pastor mais uma vez mentiu e tentou criar um factoide com intuito de difamar.
A música “Robocop Gay” cantada pelos manifestantes no voo de Brasília a Guarulhos tem um gosto de vingança do destino. Feliciano disse no passado que Dinho, integrante do Mamonas Assassinas, havia feito pacto com o diabo para ter sucesso. O pai do cantor falecido está processando o pastor por isso.
Apoiadores do deputado editaram o vídeo original a fim de destacar a fala de um passageiro, que provavelmente era gay, mas estava sentado no fundo do avião e nem estava envolvido com a confusão. No vídeo também se vê que os passageiros não saíram em defesa do pastor como ele afirma. O que se observa nesse episódio é uma pessoa acuada, aparentemente constrangida e com medo, bem diferente do pastor inflamado que mandava prender manifestantes no Pará.
Divulgar detalhes desse episódio é importante pra escancarar a má fé, a distorção reproduzida à exaustão nas redes sociais. Não se trata de defender ou condenar o ato que ocorreu no avião, mas de desmascarar.
O evento me fez lembrar o relato de uma jornalista anos atrás, sobre um encontro casual com o então ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, sobre o qual pesavam várias denúncias de corrupção. Ela relatou estar num restaurante e ele sentou-se à mesa ao lado. A jornalista perdeu a fome e pediu a conta, mas saiu indignada pelo fato de outras pessoas estarem ali como se nada tivesse acontecido. Parece que de lá pra cá o brasileiro mudou muito. Pessoas como Feliciano e outros políticos não terão mais paz em seu dia a dia e isso é bom. No nosso país a liberdade de manifestação e de pensamento são garantias constitucionais, político que não quer pagar mico que faça um bom trabalho. Feliciano já irritou gays, negros e feministas com as suas declarações discriminatórias, não pode esperar que seja bem recebido em todo lugar que estiver. E passou da hora de pararem de levar certas pessoas a sério. O pastor retirou o povo da CDHM, mas das ruas e do dia a dia tudo indica que não conseguirá tirar.
Assista o vídeo abaixo:
Fonte: Eleições HoJE
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