Possível mudança de local ameaça Festa da Chiquita, em Belém
Apesar de não fazer parte da programação oficial, a Festa das Filhas da Chiquita já faz parte do cronograma anual da festividade do Círio de Nazaré, em Belém.
Realizada há décadas, a Festa deixou de ser frequentada somente por membros da comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTT), mas também ganhou status de programação cultural mais ampla no período nazareno. Tradicionalmente realizada na Praça da República, a festa pode ser realizada este ano no Portal da Amazônia, caso seja aprovada a proposta da direção da festividade apresentada na última quarta-feira (20).
Segundo o cantor e produtor cultural Eloy Iglesias, organizador da Festa da Chiquita, ele ainda não foi comunicado oficialmente pela direção do Círio da possível mudança. Em entrevista à reportagem do DOL, Eloy informou que tomou conhecimento da possibilidade de mudança através da imprensa: “Não estamos sabendo de nada oficial. Trata-se de uma atitude política e arbitrária que objetiva acabar com a festa tirando ela do seu local de origem”, desabafou.
Ainda de acordo com o cantor, a organização da Festa da Chiquita tomará medidas legais contra a mudança de local. “Entraremos com mandato de segurança no Ministério Público pra garantir a realização da festa na Praça da República. Temos ao nosso lado não só a comunidade LGBTT, como também os afros e quem trabalha com cultura em Belém. Uma mudança dessa tira o sentido da festa, é um absurdo”, destacou Eloy.
Diretoria confirma sugestão para mudar a Chiquita
Em entrevista ao DOL na tarde desta quinta-feira (21), o diretor de procissões do Círio, Kleber Vieira, explicou que a mudança foi uma sugestão e ressaltou que ainda não está confirmado.
“Não tem nada decidido e nem a diretoria tem esse poder de mudar a festa de lugar. O que fizemos foi sugerir baseado nos relatórios dos órgãos de segurança. Entre os lugares que foram sugeridos estão o Portal da Amazônia e a Praça do Carmo”, explica Kleber Vieira, diretor de procissões do Círio, ressaltando que a diretoria não quer acabar com a festa.
Ele explica um dos motivos da sugestão para que a festa da Chiquita mudasse de lugar. “Logo que passa a procissão, começa festa. Ainda tem muita gente no local. E ano passado um rapaz que estava trabalhando na Cruz Vermelha foi baleado. Então ficamos preocupados de acontecer algo com um promesseiro, com um turista”.
A mudança de lugar foi sugerida pela diretoria do Círio, durante reunião realizada na quarta-feira (20), onde estiveram presente representantes das Polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal e Estadual, da Prefeitura de Belém e Ananindeua, entre outros.
Militância convoca protesto
Inconformada com a proposta de mudança, a militância LGBT paraense planeja realizar um ato de protesto, na esperança de impedir alterações na festa que, juntamente com o Círio, é tombada como patrimônio imaterial da humanidade pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A ação está prevista para acontecer nesta sexta-feira (22), a partir das 16h, em frente ao Theatro da Paz, justamente o local onde tradicionalmente ocorre a Festa da Chiquita.
Fontes: Diário Online e Movimento LGBT do Pará








