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Cerimônia coletiva de casamento homoafetivo une 22 casais em Belém

13 dezembro 2015 Nenhum comentário

Por Ádria Azevedo e Michelli Almeida – Redação Pará Diversidade

Amor, emoção, felicidade. Esses foram alguns dos sentimentos compartilhados no fim de tarde dessa sexta-feira (11), na 2ª Cerimônia Coletiva de Casamento Civil Homoafetivo de Belém, realizada no Espaço Fuxico, no bairro da Cidade Velha, em pleno pôr-do-sol à beira do rio.
Vinte e dois casais homoafetivos participaram da solenidade, firmando compromisso aos olhos da lei, o que lhes garantiu os mesmos direitos de casais heterossexuais, incluindo troca de estado civil e participação na herança do cônjuge.
A cerimônia teve momentos de grande emoção, começando pela abertura, quando foi recitado um poema de Cora Coralina. As noivas e os noivos trocaram alianças e carinhos, dançaram valsa, e alguns ainda entraram acompanhados de daminhas de honra e com buquê em mãos. “Selar nossa relação de anos diante da lei é uma grande conquista pra nós. Ficamos mais tranquilas por saber que teremos assegurados nossos direitos”, disse a noiva Natália Souza, agora esposa de Cynthia Motta.
Para Elias Jhonny Silva, que se uniu a Everton Monteiro, com quem mora há três anos, o status de cônjuges fará muita diferença. “Quando você casa, você tem mais facilidades em várias coisas. E acaba sendo algo que quebra barreiras e tabus na sociedade”, opinou.
Organização
O evento foi promovido pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), por meio da sua Gerência de Proteção à Livre Orientação Sexual (GLOS), numa parceria com a Olivia (Organização de Livre Identidade e Orientação Sexual), ONG que luta pelos direitos LGBT. A cerimônia contou ainda com o apoio de outras entidades ligadas ao Governo do Estado, como o Pro Paz e a Cohab (Companhia de Habitação do Pará), e da Prefeitura de Belém.
Representando o Pro Paz, o padrinho da cerimônia, Jorge Bittencourt, ressaltou a importância de disseminar a cultura de paz, contra o preconceito e a violência: “Este é um momento de comemorar a conquista desses casais. Não é fácil viver numa sociedade com tantos preconceitos. A ideia é provocar esse evento nas redes sociais e futuramente pensar em realizá-lo em cidades do interior do Estado”, disse. Através do programa Educação nas Escolas, o Pro Paz conscientiza alunos e professores da rede pública com palestras contra a discriminação. Ao lado da Sejudh, o Pro Paz tem também um projeto de cidadania para emissão de documentos para a comunidade LGBT.
Para o titular da Sejudh, Michell Durans, um evento como esse vem pra vencer a intolerância. “Essa é uma resposta da comunidade LGBT, dizendo que não aceita a discriminação, que quer casar, que quer constituir família. Certamente novas cerimônias virão, com muito mais pessoas, empoderadas de seus direitos”, comemorou.
Olivia
A ONG Olivia, criada há cerca de um ano com a proposta de trazer renovação ao movimento LGBT paraense, foi a idealizadora do evento. “A iniciativa surgiu durante uma outra ação promovida por nós, de emissão de documentos, quando casais sugeriram que também realizássemos um casamento. A partir daí, buscamos a parceria com a Sejudh, que abraçou completamente a proposta”, contou Gleyson Oliveira, presidente da organização.
O ativista avaliou que uma cerimônia como essa, além de representar a conquista de direitos, dá a oportunidade a casais que queriam há muito tempo formalizar suas uniões, mas não tinham os recursos e nem as informações necessárias. “Todo o processo envolve custos, e aqui tudo está sendo gratuito: a documentação, a cerimônia, a festa. Nós também nos responsabilizamos por toda a orientação e encaminhamento da parte burocrática. É um momento ímpar, que às vezes não acontece por falta dessas condições. Por tudo isso, temos planos de continuar fazendo essa cerimônia anualmente, com cada vez mais casais participantes”, adiantou.

Confira abaixo fotos do evento, por Michelli Almeida: