Home » Cultura, Destaque, Entretenimento

Conheça o humor e o talento de Las Bibas From Vizcaya

13 janeiro 2011 8 comentários

Formado pelas personagens fictícias Dolores de Las Dores e Marisa Touch-Fine, Las Bibas From Vizcaya (LBFV) é um duo de artistas multitalentosas que produzem vídeos, podcasts, música eletrônica e fazem apresentações ao vivo.

O nome por trás de LBFV é o músico, DJ e produtor George M. Natural de Recife, ele explica que as personagens que encarna, Dolores e Marisa, simbolizam seus alteregos.  Residente atualmente na capital paulista, ele acumula uma extensa trajetória musical, tendo comemorado, em novembro do ano passado, 24 anos de carreira. Começou como DJ em 1984 aos 13 anos de idade. Em 1994, criou o projeto Las Bibas From Vizcaya, como uma brincadeira nas horas vagas de estúdio, e fez seu primeiro single, “Xô Xô Periquita”. George levou o single a público, mas não o projeto.

Após tornar-se residente de um grande club recifense e assumir um programa de rádio, resolveu mudar-se para uma capital maior a fim de dar mais ampla projeção à sua carreira: foi para Barcelona. Durante 16 anos viveu na Europa (além de Barcelona, morou em Amsterdam e Londres), onde se estabeleceu definitivamente no ramo musical.

Ainda na Europa, em 1998 George fez o terceiro single de LBFV, o “Toda Cagada”. Em 2002, seu amigo radicado em Amsterdam, DJ Lava, veio ao Brasil e, graças a ele, “Toda Cagada” caiu nas mãos de alguns DJs daqui e na internet. Ao perceber o sucesso da música na rede, George passou a se dedicar mais. Mesmo sem morar no Brasil, oficializou de vez seu projeto Las Bibas From Vizcaya ao lançar vídeos, músicas e podcasts hilários. O vídeo “Vale Tudo Fia” (uma paródia da novela “Vale Tudo”, da Rede Globo), obteve mais de 1 milhão de acessos, e o single “Toda Cagada” virou hit entre os internautas.

Mas nem sempre ele se dedicou a essa vertente. O retorno para o Brasil foi o que o motivou a adentrar o mundo do bate-cabelo. Segundo ele, foi uma adaptação à realidade da demanda local. Na Europa, ele estava acostumado a mixar techno e sons mais alternativos. Naquela ocasião, o nome George M. era dominante, mas isso também mudou. No Brasil, LBFV é quem atrai mais atenção.

“Misturamos estilos atuais, com letras apimentadas, sacanas e de duplo sentido, cheias de expressões de um gueto que a cada dia vem mais à tona. Queremos celebrar o orgulho de fusionar sexualidade com música”, explica George M.

“Nossos podcasts já foram indicados por 2 anos consecutivos ao prêmio máximo nos USA, o PODCAST AWARDS, sendo LBFV o único podcast de fala não inglesa a disputar o prêmio. Temos inúmeras matérias publicadas, nos mais importantes meios de comunicação, gays ou não, como Portal Mix Brasil, Revista G Magazine e a página da prestigiada jornalista Erika Palomino”, conclui o DJ, ressaltando a relevância de sua produção.

Drag Queen x Crossdresser

Diferente do que muitos pensam, Dolores de Las Dores não é uma drag queen, e sim um “crossdresser DJ” (leia aqui sobre a diferença entre drag queen, travesti e crossdresser). De fato, o forte de LBFV é a música – performances, vídeos e podcasts são complementos que surgem em momentos de inspiração.

Crosdresser DJs tornaram-se populares na Europa e EUA nos anos 90. Na mesma época, houve no Brasil a Selma Self-Service, encarnada por Edu Corelli. Ainda existentes no hemisfério norte, crossdresser DJs estavam em falta por aqui. Atualmente, Dolores de Las Dores e Leiloca Pantoja dão conta de preencher esse espaço, e por enquanto são as únicas (que realmente dominam equipamentos e técnica).

Apesar de cuidar sozinho de tudo, George trata LBFV e George M. como duas coisas distintas. O trabalho de George M. está disponível em seu blog e MySpace. Por enquanto, George M. tem se dedicado apenas à produção de remixes, faixas e trilhas sonoras.

Já o Las Bibas From Vizcaya possui seu selo próprio, o Cafuçu Records, pelo qual lançou álbuns e singles no exterior, através da distribuidora americana CD Baby (veja aqui os trabalhos disponíveis para aquisição). Esse conteúdo também pode ser adquirido pelo iTunes  (neste endereço) ou diretamente com a Dolores, que sempre carrega alguns CDs na bolsa. O Pará Diversidade já comprou um dos álbuns: é só escrever diretamente pro artista, através do bem-humorado endereço meucu2000@yahoo.com.br. O último trabalho de LBFV é o excelente “Bipolar”, “um CD calmo, triste, denso, com poucos vocais” e que valoriza mais a musicalidade do que o humor e o escracho, como afirma a própria Dolores.

As personagens

Do antagonismo existente entre elas (Dolores é rica, culta, educada; Marisa é pobre, suburbana, baixa) resultam textos cômicos cheios de referências gays e mundo-cão. Embora a característica trash seja marcante, o know-how de George tem feito de LBFV uma fonte de música eletrônica de qualidade.

Através de Dolores, George leva às pistas de dança faixas que ele mesmo reconhece como intelligent bate-cabelo. Dentre elas, há remixes de The Cure, Daniela Mercury, Lady Gaga, Yoko Ono, Gossip e, claro, LBFV. Impressiona o fato que 95% das músicas que toca são produzidas por ele próprio, resultado de seu trabalho em casa, onde mantém um estúdio com equipamentos profissionais.

Através do blog de LBFV e de seus perfis nas redes sociais, pode-se acompanhar novos podcasts, paródias de novelas, músicas, imagens e o que mais a criatividade das vizcayas produzir. Acesse, veja, ouça, dance – e morra de rir!

Blog de Las Bibas From Vizcaya:

http://lbfv.blogspot.com/

Blog Bregolandya (by Marisa Touch-Fine):

http://bregolandya.blogspot.com/

Youtube de Las Bibas From Vizcaya:

http://www.youtube.com/user/LasBibas

Página de podcasts de Las Bibas From Vizcaya:

http://lasbibasfromvizcaya.podomatic.com/

Fontes: Sites DeepBeep, Parou Tudo, MixBrasil e Revista Lado A