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Corpo Transitivo lança segunda edição de fanzine sobre diversidade sexual e de gênero

25 julho 2016 Nenhum comentário

Segunda edição traz temas pouco visibilizados, como assexualidade e intersexualidade

Por Ádria Azevedo – Redação Pará Diversidade

Está disponível online, desde a última terça-feira (19), a segunda edição da fanzine do projeto Corpo Transitivo, de Belém, que aborda questões sobre diversidade sexual e de gênero. A publicação traz contribuições de pessoas não só do Pará, mas de vários pontos do Brasil, sobre temáticas LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queers, intersexuais, assexuais e outras identidades).

Zhumar de Nazaré, um dos idealizadores do Corpo Transitivo, explica que a nova edição apresenta uma perspectiva mais abrangente em relação à primeira versão. “Como o nosso projeto se ampliou da publicação de uma fanzine para outras atividades, entre as quais rodas de conversa, acabamos levando os assuntos pautados nessas rodas para a revista”, comentou.

Um dos conceitos-chaves dessa edição é o de interseccionalidade, utilizado pelas feministas negras para compreender como as opressões ocorrem de maneiras inter-relacionadas de acordo com as diversas identidades sociais. A questão veio à tona durante a roda de conversa Negritudes & LGBTs. “Essa segunda publicação parte do viés de como as demandas enquanto minorias estão interligadas, não havendo como discutir diversidade sexual e de gênero sem discutir raça e classe, por exemplo. Entendemos ser necessário envolver outras minorias, mesmo não sendo LGBTs”, complementou Zhumar.

Temas – A nova fanzine traz textos, poesias, ilustrações e dicas sobre representação e representatividade LGBT, assexualidade, lesbianidade, intersexualidade, transgeneridade e raça, na perspectiva da interseccionalidade descrita acima. Por isso, um dos textos aborda o empoderamento negro ao assumir os cabelos crespos ou cacheados. Chama atenção também a inclusão de assuntos pouco abordados quando se fala do público LGBT (ou melhor, LGBTQIA+): assexualidade e intersexualidade. Além da presença de questões sobre essas identidades na publicação, o Corpo Transitivo também realizou uma roda de conversa em que estiveram em foco a bissexualidade e a pansexualidade, aspectos igualmente invisibilizados no meio.

O estudante de Psicologia Igor Sammy Jurema assina o texto sobre assexualidade. De colaborador na primeira edição, ele agora faz parte do coletivo Corpo Transitivo. “Me interessei em participar da iniciativa porque acho que é um projeto único, não conhecia nada parecido aqui em Belém: uma publicação pra falar sobre diversidade sexual e de gênero de forma acessível a todos, em linguagem simples. Isso é muito importante pro empoderamento do público LGBT e pra superação de preconceitos”, avaliou. Para ele, a abordagem realizada pela revista é também um diferencial. “Gosto de como a fanzine sai do óbvio nas temáticas e mostra, por exemplo, que pessoas trans também podem ser LGBs – lésbicas, gays e bissexuais”.

Futuro – Ainda não há previsão do lançamento da versão impressa da segunda edição, nos moldes da primeira, que é distribuída gratuitamente por ser uma produção contemplada pelo edital “Comunica Diversidade 2014: Edição Juventude”, do Ministério da Cultura. Mas Zhumar conta que a impressão já está sendo pensada.

O momento atual do Corpo Transitivo é de avaliação da primeira fase do projeto e planejamento dos próximos passos. Entre as ideias, estão um cineclube LGBT e articulação com grupos de pesquisa. “Acreditamos no potencial do projeto para a informação e problematização de rotulações e preconceitos. O que abordamos são os direitos humanos de um modo geral, na perspectiva de um diálogo promissor para a contrução de relações mais saudáveis entre as pessoas”, finalizou Zhumar.

Então, se você quer conferir as fanzines online, basta acessar aqui. E, para acompanhar as atividades do Corpo Transitivo, é só ficar de olho na fanpage do projeto no Facebook, nesse link.